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08/08/2012 - 21h40 / Atualizada 08/08/2012 - 21h47

Autor de representação , petista acusa Gurgel de 'avacalhação'

CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA
ANDRÉIA SADI
DO "PAINEL", EM BRASÍLIA

Ex-líder do governo Dilma Rousseff e, ainda hoje, um dos mais combativos articuladores do Palácio, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) é autor de representação contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no Conselho Nacional de Justiça.

Vaccarezza, que diz que entrará com a representação nesta quinta-feira (9), afirma que a cartilha produzida pelo Ministério Público para traduzir o escândalo do mensalão para crianças "é um acinte".

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"É uma avacalhação do trabalho da Procuradoria-geral da Repúiblica. Não sei se Gurgel tem respaldo dos demais procuradores. É um engajamento político-eletioral. Ele pode fazer na vida privada. Mas não no site da Procuradoria".

Na representação, elaborada pelo coordenador do setorial jurídico do PT de São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, Vacarezza acusa o procurador-geral de "carnavalização" do julgamento do mensalão ao divulgar, no site oficial da Procuradoria-geral da República, uma cartilha dirigida às crianças sem que o julgamento estivesse concluído.

No documento, ao qual a Folha teve acesso, o petista acusa o procurador de preconceito e prejulgamento.

"Gurgel foi rápido. Essa não é uma caracterísitca dele. Se fosse, ele teria sido rápido no caso Cachoeira", atacou Vaccarezza.

Reprodução/Site do Ministério Público Federal
Página do site 'Turminha do MPF' dedicada ao mensalão
Página do site 'Turminha do MPF' dedicada ao mensalão


Mais de uma vez, o petista usou de ironia ao perguntar "por que o procurador não fez uma cartilhinha para explicar o caso do Cachoeira". É uma alusão ao fato de Gurgel não ter apresentado denúncia contra o então senador Demóstenes Torres em 2009, quando foi informada pela Polícia Federal que o parlamentar fora flagrado nos grampos.

Segundo Vaccarezza, a edição da cartilha revela um esforço de encobrir as deficiências da acusação de Gurgel, segundo o petista, "simplória e fraca".
"A Procuradoria tenta fazer uma lavagem cerebral nas crianças, o que é uma perversidade", disse Vaccarezza, para quem o Ministério Público tem de "descobrir o objetivo político de Gurgel".

Vaccarezza disse não ter consultado o presidente nacional do PT, Rui Falcão, sobre a iniciativa, "embora tenha passado o dia inteiro com ele".

Na representação, o petista pede que o Conselho Nacional atue para remediar e impedir a carnavalização do julgamento do mensalão, além de suspender a veiculação da cartilha.

"Trata-se de evidente desvirtuamento da atividade do Ministério Público, que está custeando com recursos públicos propaganda pretensamente educativa, informativa e de orientação social, mas com notória intenção de, para utilizar as palavras do respeitado jornalista, carnavalizar um julgamento sério, cuja tão somente ocorrência já impacta severamente a vida da nação e dos acusados.Não é isso que se espera do Ministério Público. Isso não faz parte, certamente, das atribuições elevadas cometidas ao Ministério Público pela Carta da República!", diz o documento.

A petição foi elaborada pela área jurídica do PT e será protocolado hoje por Vaccarezza. "Cabe a Gurgel explicar o motivo de não ter feito cartilhas explicativas para os casos Cachoeira e mensalão mineiro. "Gurgel deveria ter prestigiado o principio da presunção de inocência... Vai precisar dele", questiona o coordenador do setorial jurídico do PT, Marco Aurélio.

O site "Turminha do Mensalão" foi lançado em 2009 e, segundo a Procuradoria, trata de diversos temas polêmicas como os casos de corrupção no Distrito Federal, batizado de mensalão do DEM.

A PGR afirma, por intermédio da assessoria, que os réus não são tratados como condenados e que, no infográfico que descreve o esquema, está a informação de que nascera em Minas Gerais.

A PGR afirma, ainda, que não existe cartilha sobrr o mensalão e nem houve orientação para distribuição em sala de aula.