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02/02/2015 - 00h01 / Atualizada 02/02/2015 - 00h01

Popularidade de Times Square atrai famílias e traz questões sobre o futuro

Charles V. Bagli
Em Nova York (EUA)

O mais famoso cruzamento do mundo nunca foi tão popular. E isso está se tornando um problema.

Mais pessoas do que nunca estão lotando Times Square --de todo o mundo, de todo o país e do restante de Nova York.

Ávidos por explorar esse grande número de carteiras, varejistas internacionais estão disputando por espaço, pagando aluguéis que só perdem para a Quinta Avenida. Outdoors digitais coloridos, pulsantes, cresceram do tamanho de quadras de basquete para proporções de campos de futebol. O público nos shows da Broadway atingiu pela primeira vez 13 milhões no ano passado.

Com tudo isso a seu favor, por que tantos proprietários, inquilinos e donos de teatro temem pelo futuro de Times Square?

O mesmo motivo para varejistas e anunciantes cobiçarem um ponto em Times Square é o mesmo motivo para outros agora a considerarem insuportável: as multidões.

Alguns funcionários de escritórios e clientes de empresas se queixam amargamente de ter que atravessar multidões densas de turistas em vários locais –incluindo a tela de vídeo gigante do lado de fora dos estúdios do programa "Good Morning America" a uma sinalização digital no Marriott Marquis Hotel– apenas para entrar e sair dos prédios comerciais. Um almoço de 30 minutos é quase impossível porque os restaurantes estão lotados de visitantes.

Howard S. Fiddle, vice-presidente de uma imobiliária chamada CBRE, disse: "É um sucesso tão grande como destino turístico que as pessoas dizem que está congestionado demais para os nova-iorquinos realizarem negócios."

Poucos proprietários estão dispostos a falar sobre o assunto publicamente por temerem transformar suas preocupações em realidade. Mas empresas estão lidando com os problemas de formas pequenas e grandes.

Um arranha-céu no Nº 1540 da Broadway, por exemplo, oferece um café e uma academia de ginástica no oitavo andar para que os funcionários de várias empresas, como a Viacom e a Pillsbury, não tenham que sair.

O argumento dos corretores imobiliários para o espaço comercial reformado na antiga sede da The New York Times Company, na Rua 43, ao lado das partes mais congestionadas da vizinhança, é simples: você consegue todos os benefícios da rede de transporte sem o lado negativo das multidões.

Alguns executivos insistem em sair de Times Square para reuniões, almoços ou um drinque. "Eu costumava viver minha vida a leste do prédio", disse Graydon Carter, um editor da "Vanity Fair", que até recentemente trabalhava na Rua 42 com a Broadway.

De fato, um teste da atratividade da área como endereço de escritórios está em andamento na 4 Times Square, uma torre de 48 andares erguida em 1999, enquanto a área estava se livrando de sua reputação negativa, de alta criminalidade.

A Condé Nast, a editora da "Vanity Fair", "The New Yorker", "GQ" e outras, ocupava metade do prédio desde sua abertura. A empresa se mudou em novembro e outro inquilino, o escritório de advocacia Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom, assinou um acordo experimental para se mudar para uma nova torre comercial perto da Penn Station.

Foram muitos os motivos, como a economia, para a saída do Skadden Arps e da Condé Nast. Mas as condições em Times Square contribuíram.

"Havia o desejo de sair de Times Square", disse um advogado da Skadden Arps, que requisitou anonimato por não estar autorizado a falar em nome da firma. "Todo mundo concorda, é terrível ali. As pessoas não medem esforços para evitar Times Square."

Eric J. Friedman, sócio executivo do Skadden Arps, não retornou os pedidos de comentário.

Membros da Times Square Alliance, uma entidade que representa as empresas na região, estão monitorando atentamente o ritmo das locações ali para ver quão rapidamente a torre de 167 mil metros quadrados volta a ser ocupada.

"O excesso de gente em Times Square é um grande problema no momento", disse Tim Tompkins, presidente da aliança. "Não são apenas as pessoas fantasiadas, mas todo o tipo de pessoas diferentes vendendo e circulando ali."

Os donos de teatros estão desfrutando de público recorde. Mas alguns deles também estão preocupados que a proporção de turistas está aumentando, enquanto o número de nova-iorquinos está caindo. Isso não será bom, eles dizem, quando a maré alta do turismo inevitavelmente começar a baixar.

"Eu acho que todos estão preocupados com a questão da superlotação", disse Robert E. Wankel, copresidente-executivo da Shubert Organization, que opera 17 teatros. "Nós temos um problema com nosso sucesso. Nós dedicamos muito tempo e esforço para limpar Times Square e agora é o lugar onde todo mundo quer estar."

Uma pesquisa feita pela Times Square Alliance em maio apontou que um entre quatro proprietários de prédios, funcionários de escritórios e administradores de imóveis em Times Square estava "insatisfeito" com a superlotação, a construção de praças e as pessoas fantasiadas.

"O problema recente de superlotação de Times Square foi causado em parte pela construção das praças", disse Douglas Durst, presidente da Durst Organization, que é dona da 4 Times Square. Ele também disse que a cidade precisa tratar do que ele descreveu como uma proliferação de pessoas fantasiadas e vendedores agressivos, que contribuem para o congestionamento.

Todos esperam evitar uma situação já descrita por Yogi Berra: "Ninguém mais vai lá; é lotado demais".

"Nossa preocupação", disse Ellen Goldstein, vice-presidente de planejamento e políticas da aliança, "é que o espaço público se torne tão desagradável que possamos chegar ao ponto em que empresas não mais queiram um espaço em Times Square. Nós ainda não chegamos a esse ponto, mas os dados nos mostram que podemos chegar lá".


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