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12/04/2011 - 00h02

Controvérsias sobre o impacto econômico da imigração

Elise Vincent

A vontade de “controlar” a imigração muitas vezes é motivada pelos “custos” atribuídos a esta última. Mas, embora tenham sido conduzidos inúmeros estudos sobre o tema desde o início dos anos 1990, e apesar da grande dedicação daqueles que se lançaram a eles, nunca foi possível se chegar a uma conclusão.

Um dos pioneiros nesse campo é o americano George J. Borjas, professor de Economia em Harvard, ele mesmo um imigrante cubano. Ele foi um dos primeiros a tentarem objetivar os temores associados à imigração, calculando seus efeitos com a ajuda de um método que combina matemática a ciência econômica: a “econometria”.

Segundo os trabalhos de Borjas, muito influentes nos debates nos Estados Unidos, a imigração prejudicaria consideravelmente os “nativos” pouco qualificados, por meio de um efeito de “dumping”. Mas com exatamente a mesma abordagem econométrica, outros pesquisadores, como o canadense David E. Card, professor de Economia em Berkeley, apresentaram resultados completamente opostos.

Na França, os trabalhos sobre o “custo” da imigração são mais incipientes, mas as diferenças são idênticas. Em julho de 2010, pesquisadores da Universidade de Lille, que haviam trabalhado com a abordagem econométrica, realizaram uma pesquisa financiada pela Direção da Pesquisa, dos Estudos, da Avaliação e das Estatísticas (Drees). Eles chegaram à conclusão de que a imigração tinha um impacto relativamente “neutro” sobre as finanças públicas.

Tomando por referência o ano de 2005, eles calcularam que naquele ano os imigrantes realmente haviam tido um “peso” sobre os gastos com seguro-desemprego e renda mínima de inserção (RMI). Mas sua menor expectativa de vida e suas carreiras mais precárias os haviam tornado menos “onerosos” do que os nativos para o sistema de previdência. Ora, este representa o mais pesado gasto social do Estado, segundo os pesquisadores. Em 2005, os imigrantes haviam tido uma participação de 4 bilhões de euros nas finanças públicas, segundo os pesquisadores de Lille. “Uma gota d’água” em comparação com o orçamento de um Estado, observa Xavier Chojnicki, um dos autores da pesquisa. Esse resultado se manteve mais ou menos idêntico quando os pesquisadores projetaram o impacto da imigração a longo prazo, ao simularem o “ciclo de vida” dos imigrantes de hoje.

Mas a pesquisa de Lille também encontrou seus críticos. O método econométrico tem como principal ponto fraco obrigar a predeterminar um certo número de variáveis para efetuar os cálculos: escolhas arbitrárias que podem suscitar o mesmo tanto de debates para o número de resultados que geram.

Os pesquisadores de Lille, por exemplo, concentraram seus estudos somente nos imigrantes com idade acima de 18 anos. Seus filhos não foram incluídos em seus cálculos. As projeções também foram feitas com base em um índice de desemprego avaliado em 5,5% e um crescimento anual de 1,5%. Números otimistas em relação à situação atual.

O maior crítico dessas conclusões é o ensaísta Jean-Paul Gourevitch, membro da associação de inspiração liberal Contribuables Associés [Contribuintes Associados]. Gourevitch não é pesquisador, mas trabalha há muito tempo com o cálculo dos custos da imigração que, segundo ele, seriam muito elevados: da ordem de 30 bilhões de euros (“L’immigration ça coûte ou ça rapporte?”, Ed. Larousse, 2009).

Mas seu método foi contestado. Enquanto os pesquisadores de Lille elaboraram seus cálculos com base nos dados do Insee [Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos], Gourevitch acrescentou extrapolações a partir de micro-pesquisas realizadas no departamento de Seine-Saint-Denis. Foi com esse mesmo método que em 2008 a Câmara dos Lordes, no Reino Unido, chegou à conclusão de que a imigração tinha um custo muito grande para os cofres públicos ingleses.

Todos esses estudos muitas vezes são criticados também por outros intermináveis debates sobre os custos do “controle” dos fluxos migratórios. Especialmente aqueles associados às expulsões dos clandestinos. Os defensores da livre circulação tendem a inflar as contas a fim de demonstrar o absurdo do sistema, enquanto os dirigentes políticos as minimizam. Em 2008, em Paris, o coletivo Cette France-là havia avaliado esse custo em 2 bilhões de euros. Para o ano de 2009, o extinto Ministério da Imigração o havia calculado em 232 milhões de euros.

Todos esses cálculos irritam muito os defensores dos direitos dos migrantes, que denunciam o fato de que homens e mulheres estão sendo reduzidos a simples variáveis matemáticas. Há quem levante a questão: por que não tentar calcular o “valor agregado” produzido por todos os dirigentes de empresa que também são imigrantes?

Tradução: Lana Lim